quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Filme “Extraordinário” escancara o poder transformador de uma gentileza

Jairo Marques - Folha de São Paulo


Cena do filme "Extraordinário" ("Wonder"), de Stephen Chbosky – Divulgação



Não havia passado nem dez minutos de filme e eu já estava apertando os dedos contra as pernas e esticando os músculos da face para evitar um bafão e me chorar inteiro dentro do cinema.
Estava convicto de que não me renderia a uma armadilha sentimental hollywoodiana tão facilmente, afinal, conheço bem as durezas de levar a vida guardando uma marcante diferença em relação aos outros, tema central de “Extraordinário”, em cartaz nos cinemas.
Foi inevitável desabar, porém, quando Auggie _ nome do personagem do garotinho que protagoniza o filme e que tem uma deformidade marcante no rosto_ pede desculpas por ter “encarado e incomodado”, mesmo que na imaginação, o personagem Chewbacca, de Star Wars, que tem aparência um tanto extravagante.
E é uma sequência de situações em que a gentileza se faz presente ou se faz necessária que vai conduzindo a gente para um estado periclitante de querer rever atitudes, de chegar em casa o mais rápido possível para abraçar as crianças e dizer a elas: “Sejam sempre gentis”.
Educar para a tolerância, para a compreensão da diversidade, para agir em prol da união e contra preconceitos, sem ranços e sem ceder aos empolados manuais do politicamente correto, é tão humano e tão edificante como é também desafiador e inquietante.
Mas presenciar um filho combatendo uma injustiça, agindo contra uma discriminação e praticando gentileza é como ganhar uma nova chance de fazer do planeta, do país, da casa lugares mais harmoniosos e com menos sequelas em seu caráter.

Cena do filme “Extraordinário” (“Wonder”), de Stephen Chbosky. Elenco: Julia Roberts, Jacob Tremblay, Owen Wilson.

A grande sacada de “Extraordinário” não é o sofrimento e a angústia do pequeno que tem de encarar o mundo com sua deformidade indisfarçável, mas, sim, a de mostrar que cada um de nós, em algum momento, precisamos ser olhados além de nossas carapaças, nossos trajes sociais de bonzinhos, de tolerantes, de escroques, de feios, de bonitos ou de rabugentos.
A teia que tenta dar suporte a Auggie vive seus próprios dilemas e, com isso, vai ampliando as identidades com o expectador que fica cada vez mais consternado, comovido e envolvido.
É a mãe que se anula para tentar melhorar a realidade do filho e a encorajá-lo para enfrentar o lá fora, a irmã que cresce tendo de compreender que terá menos espaço de atenção, o colega de sala que vive o dilema entre ser amigo ou ser da turma.
Todo “serumano”, em algum momento, durante sua batalha de existir, vai precisar de uma mão, de uma oportunidade, de uma bandeira branca, de um aceno ou de um beijo. Ampliar a capacidade de captar que é “a vez do outro”, calibrar o desconfiômetro que aponta para a crueldade e desvirtudes resultam sempre em ações que podem levar o bem para alguém.
O filme passa longe de ser uma obra cinco estrelas, pois cai nas batidas esparrelas de querer compensar os desgastes e dores dos personagens com vitórias homéricas e lições de moral, assim como “pune” quem não se comporta bem, o que afasta demais a trama de uma maior similaridade com a vida real.
Entretanto, o caldo que se extrai de “Extraordinário” é como um néctar doce que cai tão bem para a alma nesses tempos natalinos. Deixe-se contaminar com o poder de uma gentileza.

PSDB fecha questão a favor da reforma da Previdência


Veja
PSDB decidiu fechar questão e votar a favor da Reforma da Previdência. Com a decisão tomada na reunião da Executiva Nacional nesta quarta-feira, os 46 deputados do partido serão pressionados a votar com a orientação. Neste primeiro momento, o partido decidiu não punir eventuais deserções.
A decisão da Executiva, colegiado formado pelas principais lideranças do partido, terá um efeito simbólico forte. Se não há tradição no tucanato de punir divergentes, o fechamento de questão aumenta a pressão para que a bancada do partido, que estava relutante, aprove as mudanças na aposentadoria.
O apoio do PSDB é considerado essencial para que o governo do presidente Michel Temer (PMDB) consiga aprovar a reforma. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), são necessários 308 votos para que seja aprovada na Câmara. Depois, ainda precisa passar pelo Senado, também com o apoio de um terço dos membros.
No último sábado, durante a Convenção Nacional do PSDB, em Brasília, os principais oradores, entre eles o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, virtual candidato da legenda ao Palácio do Planalto, defenderam com veemência a aprovação do projeto. Em declaração exclusiva a VEJA, o governador de Goiás, Marconi Perillo, eleito vice-presidente nacional do partido, afirmou que trabalharia para que o partido fechasse questão.

Se Lula for condenado, poderá ser candidato? Tire essa e outras dúvidas


Lula durante visita ao tríplex em fevereiro de 2014 - Reprodução


O Globo



Ao marcar o julgamento do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o próximo dia 24, antes do registro de sua candidatura presidencial, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) definiu a data que dará o tom das eleições de 2018. Uma eventual condenação na segunda instância, poderá afetar diretamente o pleito. Tire suas dúvidas com perguntas e respostas feitas pelo GLOBO sobre o caso. 


Se condenado, Lula ainda poderá concorrer à Presidência da República?
Depende. Pela Lei da Ficha-Limpa, uma condenação de um órgão colegiado, como o TRF-4, torna o candidato inelegível. Mas ainda há vários recursos que podem permitir a candidatura de Lula. Em primeiro lugar, ele pode recorrer ao próprio TRF-4, e a jurisprudência diz a sentença só pode ser considerada final quando esses recursos, chamados de embargos infringentes e declaratórios, forem analisados.

Assim, o petista ainda deve ganhar tempo. E há mais recursos: mesmo que tudo seja julgado no TRF-4, e a condenação mantida, o ex-presidente ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar obter uma liminar e manter a candidatura. Nesse caso, vai depender muito de que juiz for analisar o caso, porque não há uma posição definitiva. Ou seja, mesmo que Lula seja condenado, ainda não dá para saber se ele será ou não candidato.

Quando deve sair a decisão de segunda instância?
O julgamento agora está previsto para o próximo dia 24 de janeiro. O prazo final para registro de candidaturas é 15 de agosto.

Lula pode tentar registrar a candidatura, mesmo inelegível, enquanto couber recurso?
Mesmo que Lula esteja inelegível, isso não o impede de solicitar o registro de candidatura. E a lei eleitoral diz que com a solicitação do pedido de candidatura, o candidato está autorizado a realizar atos de campanha até a decisão definitiva do registro de candidatura.

Podemos, então, ter uma campanha de Lula com ele condenado?
Sim. Ele condenado e discutindo a sua elegibilidade. Mas a lei eleitoral tem decidido a partir de 2013 que os partidos políticos têm até 20 dias antes das eleições para substituir as suas candidaturas. Caso o STF entenda que ele é inelegível, ao que tudo indica, o PT não poderia mais substituí-lo, e aí seria excluído da eleição.

O que acontece se o TRF-4 absolver Lula?
Se Lula for absolvido no TRF-4, a acusação, que é feita pela Procuradoria Regional da República da 4ª Região, pode entrar com os embargos dentro do próprio colegiado. Caso os desembargadores mantenham a absolvição, os procuradores podem entrar com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo a revisão da decisão. Só depois disso, a acusação pode procurar o Supremo Tribunal Federal (STF). Com a absolvição em segunda instância, ainda que caibam recursos, o ex-presidente fica apto a participar da eleição.

O que aconteceria se uma eventual condenação saísse depois das eleições, com Lula sendo eleito?
Haveria um debate jurídico se ele poderia ou não assumir a Presidência.

Quais são os processos contra Lula?
O ex-presidente Lula está envolvido em nove processos criminais. O petista foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em um deles, o caso do tríplex do Guarujá, e é réu em outras cinco ações penais em Curitiba e em Brasília. Além disso, o ex-presidente foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) em mais três investigações.
Em 12 de julho, o juiz Sergio Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão por ter recebido um tríplex reformado pela OAS como propina. Por enquanto, é a única condenação contra o petista.

Em que ações ele é réu?
Na Lava-Jato de Curitiba, o petista é réu em duas ações, que ainda não foram julgadas. Em um dos processos, a Odebrecht é apontada como responsável por pagar um terreno onde seria construído o instituto Lula e o aluguel de um apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo. No outro processo de Curitiba, o ex-presidente é acusado de receber da Odebrecht e da OAS reformas no sítio de Atibaia.
Em Brasília, correm outras três ações. Na primeira delas, por obstrução de Justiça por supostamente tentar comprar o silêncio de Néstor Cerveró, o MPF já pediu sua absolvição por falta de provas, alegando que o delator, Delcídio do Amaral, mentiu.
Em um processo ligado à Operação Janus, Lula é acusado de usar sua influência junto ao BNDES para favorecer a Odebrecht em contratos e obras do governo federal. O último caso a que ele já responde como réu em Brasília é da Operação Zelotes e envolve investigação sobre a compra de caças.

De que Lula é acusado no caso do tríplex?
Os procuradores dizem que o apartamento está em nome da OAS mas seria do ex-presidente, como contrapartida por contratos que a OAS fechou com a Petrobras. O MPF pediu a condenação e prisão de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os procuradores também pedem que sejam devolvidos aos cofres públicos R$ 87,6 milhões, referentes a contratos da OAS com a Petrobras. No documento de alegações finais entregue ao juiz Sergio Moro, os procuradores ressaltaram que o MPF apresentou um "enorme conjunto de provas" documentais, testemunhais, periciais, que incluem dados dados extraídos de afastamento de sigilo fiscal dos réus, fotos e mensagens de celular e emails trocados entre os réus.

Para eles, a dificuldade de produzir provas de que o apartamento pertence à família de Lula é fruto da profissionalização dos crimes de lavagem de dinheiro.

O empresário Léo Pinheiro, dono da OAS, disse que o apartamento era de Lula e que a situação do imóvel não foi regularizada. Segundo ele, o tesoureiro do PT João Vaccari Neto orientou que os valores gastos no triplex fossem abatidos da conta corrente de propina que a empresa mantinha com o PT.


Apartamento tríplex no Edifício Solarius, no Guarujá, que seria de Lula, segundo Léo Pinheiro - Marcos Alves


O que a defesa de Lula argumenta?
A defesa de Lula diz que o apartamento é da OAS e que, além disso, foi dado em garantia a uma operação financeira feita pela empreiteira. Em 2010, a OAS Empreendimentos tomou R$ 300 milhões de um fundo da Caixa, o FI FGTS, e deu vários imoveis como garantia. Como ainda não quitou a dívida, em tese o triplex segue compromissado com o banco. Lula diz que, se fosse dele, a OAS não teria feito a operação. Os advogados dizem que Lula só visitou o imóvel uma vez, quando Leo Pinheiro o ofereceu, já que a família de Lula havia adquirido, em 2005, uma cota-parte nesse empreendimento.

Lula pode ser preso?
Vai depender se o Supremo Tribunal Federal manter aquele entendimento do ano passado de que as condenações em segundo grau são suficientes para dar início ao cumprimento da pena. Alguns ministros têm divergido na manutenção desse entendimento. Pela compreensão atual, a última manifestação, ele daria início ao cumprimento da pena já com a decisão de segundo grau.


'Infraestrutura foi atingida por um tsunami com a crise econômica'

Caio Rinaldi, Thaís Barcellos e Letícia, Broadcast

setor de infraestrutura no Brasil foi atingido por um "tsunami" com a crise econômica que atingiu o País nos últimos anos e com os esquemas descobertos pela Operação Lava Jato, mas os eventos não são necessariamente negativos. A afirmação foi feita pelo diretor presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, na abertura do "Fórum Estadão - Infraestrutura: Investimentos e geração de empregos", que ocorre nesta quarta-feira, 13, em São Paulo.
Na sua avaliação, o ajuste pode se provar "positivo do ponto de vista de gerar oportunidades e construir novos processos", além de promover maior transparência entre as relações público-privadas. "Neste momento, temos grandes desafios. É necessário rever, revisitar, proporcionar uma profunda autocrítica de como podemos criar uma nova relação público-privada, baseada na integridade e transparência", declarou Magri.
Infraestrutura
Impulso de investimentos em infraestrutura ajudaria na retomada da economia, apontam especialistas Foto: UESLEI MARCELINO | | REUTERS
A repercussão gerada pela crise econômica e investigações anticorrupção, como a Operação Lava Jato, impôs melhorias ao setor. "Só é possível transformarmos as antigas práticas, antigos modelos de negócios, se houver um avanço setorial. A boa notícia, que precisa ser comemorada, é de que as principais empresas do setor estão se transformando", apontou.
Segundo ele, os mecanismos internos de integridade das empresas evoluíram e adquiriram independência nas companhias. "As mudanças nas empresas são importantes, mas o mercado precisa mudar", reforçou.
O presidente do Ethos ainda completou que é preciso modificar também a integridade que rege as instituições brasileiras. De acordo com Magri, a criação de um novo modelo de relação público-privada baseada na integridade e transparência é um desafio para 2018 e fundamental nesse momento de retomada econômica. Magri também citou a questão política e eleitoral. "É preciso pensar em melhor escolha dos eleitos. Uma reforma política profunda ajudaria."
Além disso, Magri afirmou que o Ethos propõe a criação de um Plano Nacional de Integridade com três tipos de medidas: reformas institucionais, ações para agravar o custo da corrupção e de prevenção.
Ele citou, por exemplo, que são necessárias medidas para que o Estado responda por suas responsabilidades, de alteração do processo penal e revisão das normas de licitação e contas públicas, de regulamentação do lobby e de ampliação de estímulos à atividade empresarial.
Demissões.  Em participação no Fórum do Estadão sobre infraestrutura, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Evaristo Pinheiro, destacou que o setor é um dos poucos que continuam demitindo, enquanto outros segmentos de atividade da economia já vêm mostrando melhora do mercado de trabalho há alguns meses.
De acordo com Pinheiro, o fechamento das vagas em construção pesada e leve reflete a queda do nível de investimento tanto público quanto privado, além do consumo do backlog de obras contratadas.
“Se o setor de infraestrutura não voltar, não sair do fundo do poço, não haverá sustentabilidade do crescimento do PIB”, alertou o presidente do Sinicon, salientando a alta relevância do setor para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) brasileira.

Temer quer emplacar reforma tributária em 2018

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

Com o risco de frustração da votação da reforma da Previdência, o Planalto quer emplacar uma proposta de reforma tributária em 2018. O presidente Michel Temer pediu à sua equipe que o texto com a simplificação das regras tributárias fique pronto no início do ano que vem.
“Se a Previdência não avançar, a reforma tributária será ainda mais relevante”, disse o assessor especial da Presidência da República para a reforma tributária, Gastão Alves de Toledo. “Ambas são importantes. Se a Previdência passar, o presidente terá maior ânimo para fazer a tributária.”
O texto original, que não chegou nem mesmo a ser enviado ao Congresso, foi fortemente combatido pelas empresas de serviços. Para barrar essa resistência, o governo já acenou que pretende flexibilizar a proposta de mudança no PIS/Cofins – tributos que têm hoje regras complexas e de difícil pagamento para as empresas. Pela nova proposta em discussão, o setor de serviços ficará de fora do novo modelo de cobrança do PIS/Cofins.
As empresas de serviço poderão continuar pagando pelo sistema cumulativo de cobrança, que tem hoje alíquota de 3,65%. As demais empresas, sobretudo da indústria, que pagam pelo sistema não cumulativo, terão a cobrança aperfeiçoada e poderão abater do imposto devido um leque maior de créditos. A nova alíquota ainda está em definição.
As empresas do setor de serviços fizeram ao longo do ano uma mobilização no Congresso e nos gabinetes do governo para impedir que a proposta avançasse, temendo aumento da carga tributária.
Segundo Gastão Toledo, independentemente da reforma da Previdência, Temer quer ter um texto pronto de reforma no início de 2018, apesar de ser um ano eleitoral que gera maior dificuldade de apoio parlamentar.
A proposta elaborada pela Receita Federal estava em discussão no Palácio, mas Temer pediu ajustes. Nos últimos dias, os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, passaram a dar ênfase na reforma tributária em pronunciamentos públicos.
Para o consultor institucional das entidades que representam as empresas de serviços, Emerson Casali, o governo acerta ao atacar o “verdadeiro” problema do PIS/Cofins, que é o sistema atual de créditos que prejudica a indústria. “Acerta também ao não criar problemas desnecessários para as empresas do setor de serviços com um aumento descabido da carga tributária sobre quem mais emprega”, disse.
Dúvidas. Para ele, não ficou claro, no entanto, se todos os setores de serviços não serão afetados. Segundo Casali, não aumentar impostos sobre os serviços foi uma promessa também feita pela área econômica ao Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no mês de agosto.
O outro ponto que ainda preocupa o setor é o realinhamento de alíquotas em função da decisão do Supremo Tribunal Federal que retirou o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. A Receita Federal havia declarado a necessidade de aumentar as alíquotas para evitar perdas, o que gerou reações.
A maioria dos ministros da Corte decidiu que o ICMS, um imposto estadual, não poderia ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins, que são tributos federais. Durante o julgamento, a Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que o governo poderia perder até R$ 27 bilhões por ano.

O melhor para o país

Com Blog do Noblat - O Globo




É fato que sempre haverá a possibilidade de um pedido de vista, o que atrasaria por tempo indeterminado qualquer desfecho. Mas o Tribunal Regional Federal da 4ª Região fez bem em marcar para o próximo dia 24 de janeiro o julgamento do recurso impetrado pelo ex-presidente Lula contra a decisão do juiz Sérgio Moro de condená-lo a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva na ação que envolve o tríplex do Guarujá, em São Paulo.

O pior dos mundos teria sido deixar o julgamento do recurso para meados de 2018, a poucos meses do início da campanha que elegerá o sucessor do presidente Michel Temer. Uma imprudência dessas poderia por em risco o próprio processo eleitoral. Como ele se daria sem que ninguém soubesse da sorte do atual líder das pesquisas de intenção de voto? Não só Lula, mas também seu partido seriam os maiores prejudicados. Sem falar dos eleitores.

Pelo que disseram, ontem, seus principais dirigentes, o PT não pensa assim. O melhor dos mundos para ele seria que o julgamento ficasse para a última hora. Se absolvido, Lula sairia forte como nunca. Se condenado, entraria com novos recursos na Justiça e poderia seguir  candidato e até se eleger. Se condenado e preso, se transformaria em mártir e, de dentro da prisão, acabaria funcionando como o maior cabo eleitoral da sucessão de Temer.

Jamais o PT aceitará qualquer outro resultado que não seja a absolvição de Lula. Como não aceitou o resultado do julgamento que condenou por corrupção seus mansaleiros. Lula, tampouco. Ao sentir-se em perigo depois que o escândalo do mensalão veio a público, Lula fez um pronunciamento na televisão dizendo que fora traído e pedindo desculpas aos brasileiros. Não disse por quem fora traído. Entregou a cabeça do seu ministro José Dirceu, e foi só.

Desde então, passou a repetir que o mensalão foi uma mentira criada para atingi-lo e ao PT. Também o petrolão, outra mentira. Na semana passada, culpou a Lava Jato pela falência do Rio de Janeiro, um Estado assaltado por uma gangue. Lamentou a prisão de ex-governadores do Rio. E disse não acreditar no que foi divulgado pela mídia a respeito do que eles fizeram. Lula e o PT só acreditam no que é dito contra seus adversários.

Mesmo a esses, se lhes pareça conveniente, estendem a mão. Pregam a reconciliação do país, desde sob seus termosos termos. Procedem com a costumeira arrogância que os caracteriza. Não enxergam ou não querem enxergar que seu tempo pode ter passado.



Principais partidos são presididos por investigados, denunciados e um preso

Com Blog do Josias - UOL


É como se no sétimo dia, quando Deus descansou, tivessem surgido sobre a terra os partidos políticos brasileiros. Em consequência, uma característica fundamental da dificuldade do eleitor é ter que ouvir os presidentes dos partidos durante vários anos para chegar à conclusão de que eles não têm nada a ensinar sobre ética, exceto que se trata de uma virtude facilmente contornável.

No momento, os principais partidos do país são comandados por investigados, denunciados e até um preso. Em maior ou menos extensão, enfrentam enroscos criminais, entre outros, os presidentes do PMDB, PSDB, PT, DEM, PP, PR, PRB, PSD e SD. Todos negam participação em desvios.

Nesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal converteu em réu o senador Agripino Maia (RN), presidente DEM. Ele responderá pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É acusado de receber propina da OAS. Coisa de R$ 654,2 mil entre 2012 e 2014. Declara-se inocente.

Presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) responde a 14 inquéritos no Supremo. Já foi denunciado num deles, que apura fraudes no Carf, o órgão que julga recursos contra autuações da Receita Federal. Costuma dizer que ser processado não é um problema. O que não se admite é a condenação.

O PSDB mudou de patamar. Deixou o comando da legenda o senador Aécio Neves (MG), que coleciona nove inquéritos criminais na Suprema Corte. Entrou no lugar dele o governador de São Paulo e presidenciável Geraldo Alckmin, que aguarda na fila pelo julgamento de um pedido de abertura de inquérito na Lava Jato em tramitação no Superior Tribunal de Justiça.

Delatores da Odebrecht disseram em depoimentos que Alckmin utilizou um cunhado, Adhemar César Ribeiro, para apanhar R$ 10,7 milhões em verbas oriundas das arcas do departamento de propinas da Odebrechet.

A senadora Gleisi Hoffman (RS), presidente que Lula consentiu para o PT, guerreia no Supremo contra uma ação penal na qual a Procuradoria a acusa de receber R$ 1 milhão em verbas desviadas da Petrobras para sua campanha ao Senado, em 2010.

Em petição submetida ao julgamento da Prmeira Turma do Supremo, a Procuradoria pede, além da condenação criminal de Gleisi e seus cúmplices, o pagamento de uma indenização de $ 4 milhões ao Estado, a título de indenização por danos morais e materiais.

O senador Ciro Nogueira (PI) preside o partido com o maior número de encrencados na Java Jato, o PP. Ele próprio responde a dois processos. Num, foi acusado por delatores da Odebrecht de receber R$ 1,3 milhão por baixo da mesa, para financiar suas campanhas em 2010 e 2014. Noutro, já convertido pela Procuradoria em denúncia, o senador responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no montante de R$ 1,5 milhão. Verba que a empreiteira UTC diz ser produto de roubo.

Ex-ministro dos Transportes de Dilma Rousseff, Antônio Carlos Rodrigues preside o PR desde a cadeia. Ele foi detido preventivamente. Acusam-no de corrupção passiva, extorsão, participação em organização criminosa e falsidade ideológica no mesmo processo que levou para trás das grades os ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha, sua mulher.

Ministro da Indústria e Comércio de Michel Temer, o pastor licenciado Marcos Pereira, da Igreja Universal, preside o PRB. Responde a dois inquéritos. No mais antigo, emergiu da delação da Odebrecht como beneficiário de R$ 7 milhões no caixa dois. No mais recente, foi acusado por Joesley Batista, o delator da JBS, de morder propinas de R$ 6 milhões.

Outro ministro de Temer, Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), presidente licenciado do PSD, também responde a um par de inquéritos. No primeiro, é acusado de financiar sua campanha ao Senado, em 2014, com verbas de má origem. No segundo, é apresentado como beneficiário de propinas extraídas de obras viárias feitas em São Paulo no tempo em que foi prefeito da cidade.

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, preside o SD, sigla de Solidariedade. Entre outros processos, ele é protagonista de uma denúncia na qual a Procuradoria o acusa de ter se beneficiado de esquema que desviou verbas do BNDES. Responde por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Deus, como se sabe, existe. Mas quem repara no cenário de terra arrasada que domina o sistema político brasileiro fica tentado a acreditar que Ele não merece existir. Fica evidente que o Todo-Poderoso criou a política sem a menor atenção e, ao retornar do descanso, percebendo o tamanho da encrenca, terceirizou a administração dos partidos políticos ao diabo.

‘E então, que quereis?...’, por Paulo Delgado

O Estado de São Paulo


Num restaurante de Londres, entre a morte de Karl Marx e o nascimento de Joseph Schumpeter, dois amigos, um liberal e um comunista, jantavam. Ao ouvir gritos de uma briga de rua seguidos de silêncio, o de esquerda disse: perdemos! Como assim, se você nem sabe do que se trata, indagou o de direita? Amanhã saberemos; mas, adianto, o lado que perdeu, esse sempre somos nós.

Dessemelhanças, o desconforto diante das coisas que não se encaixam. Essa alegoria, que gostava de contar a meus alunos assustados com o sucesso do capitalismo no mundo, nunca perdeu a atualidade.

Desde que a ideia do Estado forte montou guarda na porta da imaginação política, a superficialidade de análise minou a autoconsciência da esquerda. Fez a glória de cálculos frustrados, chamou de consciência confusos sentimentos ideológicos, supôs a animosidade uma forma de virtude. O narcisismo pela causa perdida se confundiu com compaixão. Sem defesa, a melancólica grandeza do crédulo militante juntou-se à intolerância esperta do chefe de partido. E aquele tabuleiro de peças arrumadas, monopolizado por favores e temores, produziu ligação sentimental tão desarrumada no povo que o nome do afeto que o sustenta não é alegria, é medo.

E, assim, a base na qual a vida soviética se afirmava não enchia taça de liberdade que pudesse umedecer o deserto de ideias que imperava. Uma história em três atos, de um compridíssimo período de portas fechadas, reunindo a notável esperança do início, a vulgaridade brutal do meio, a insignificância profética do fim.

Porque nem a misericórdia perdoa o caráter economicamente atrasado e filosoficamente estéril de sociedades em que a vontade humana não é recurso renovável. Ninguém será livre cobrando do Estado a exoneração das dificuldades da vida.

O fato de um sistema de produção ser coletivo não garante que o aspecto econômico do esforço e da satisfação humana tenham sido alcançados melhor.

O homem é mais criativo usando a imaginação, o sonho, o pensamento do que os braços, o corpo, o suor como fator de produção. Produzir não é criar, é transformar o que já existe. O capitalismo avançou mais que o socialismo porque percebeu primeiro que o sonho dos homens é descobrir a desutilidade do trabalho, sua penosidade. A União Soviética sumiu na poeira do tempo quando passou a confundir a disciplina para o trabalho obrigatório e coletivo com uma teoria geral da escolha e da felicidade. A ilusão de se atingir um padrão invariável de comportamento pressupõe a supressão dos órgãos sensoriais humanos.

Qualquer regime político fracassa se não confia nas possibilidades contidas na sociedade. Um senso comum soberano das ações humanas para se organizar e sobreviver com autonomia. Não foi defeituoso o método que os líderes da revolução russa de 1917 usaram para se manter no poder. Foi inaceitável. Seu maior problema é inventar um sistema produtivo cujo custo de implantação e funcionamento foi infinitamente maior do que a satisfação que possibilitou. Nenhum operário, astronauta, comerciante ou fazendeiro se torna mais criativo e livre com o crachá de um departamento do governo.

O aniversário da revolução bolchevique bem poderia ter passado incólume. Afinal, qual horizonte oferece às gerações atuais? O fato de ser necessário algum controle para qualquer atividade humana não significa que ele deva ser estatal. Se o campo do que é legítimo só pode ser certificado pelo Estado, não sobra papel para o cidadão. E foi essa confusão liberdade-Estado-indivíduo-sociedade que afastou sonhadores, políticos, intelectuais e entusiastas das causas democráticas da defesa de uma Moscou vermelha.

Com o fim da União Soviética; com a estraçalhadoramente pragmática adesão da China ao capitalismo; com a alienação mundial que a globalização escancarou no rosto das novas gerações; com a cada vez menos idealizada e charmosa Cuba; com o silêncio mundial ante a solução arbitrária do conflito na antiga Iugoslávia; com a patética Coreia do Norte; com tudo isso e mais um pouco, o comunismo, como sonho, perdeu influência nos lares, nos estudos de organizações e instituições. O leão reduziu-se a gato, deixando um vazio na função de contraponto aceitável para formadores de opinião. E é pelos olhos de um deles que o desastre foi pressentido: “Nada de novo há no rugir das tempestades”, alertou Maiakovski no poema E então, que quereis?..., pouco tempo antes do tiro que o matou.

Ainda que não se observem grandes mudanças do padrão de distribuição de renda no mundo há em curso uma tendência, não cíclica, de acumulação muito significativa da riqueza disposta no planeta. O fenômeno, popularizado por um contundente livro de Thomas Piketty, até então um economista francês que fazia carreira distante das discussões econômicas de impacto global, mostrou força, pois, mesmo quando combatido, nunca o foi de forma que fragilizasse diretamente o cerne de sua análise.

De fato, a riqueza no planeta está concentrada e continua com uma dinâmica de mais concentração nas mãos de um reduzido número de indivíduos. Mas o mundo nunca foi tão rico quanto agora, que a recompensa pelos que apostam na livre-iniciativa segue a regra em que o risco dos investimentos é menor do que o retorno que proporciona.

Se você quer ser dono dos seus desejos, não deixe o Estado ser o único empregador. Nem dê seu tempo à emoções massificadas, fermento da fúria falsa do manipulador. Há um desconcertante defeito/virtude de origem na democracia. Ela é um filtro para produzir uma minoria legitima e confiável. Caso tal elite se torne desprovida de virtudes, que seja, constitucionalmente, deposta. A areia escorre garganta abaixo na ampulheta.

Com que santo e milagre será enfeitado o aniversário dos governos progressistas atuais pouco se pode antever. Para a União Soviética basta o réquiem pela morte do enorme equívoco que foram seus governos arbitrários.

*Sociólogo, é copresidente do conselho de economia, sociologia e política da Fecomercio de SP. e-mail:

"Mas que diacho de democracia é esta?", por José Nêumanne

O Estado de S.Paulo

                                                                                                          
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso praticamente lançou uma campanha nacional pela anistia exclusiva de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, na convenção de seu partido, o PSDB, que fingiu, ao longo de 13 anos e meio, ser oposição e depois entrou, mas agora saiu, do governo-tampão de Michel Temer. “Prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia”, disse. Noves fora o erro de português na frase (do que no lugar de uma simples preposição a), a sentença é um habeas corpus preventivo que nem Gilmar Mendes concederia. O “presidenciável” do PT foi condenado a nove anos e meio de prisão na primeira instância, aguarda julgamento de recurso na segunda e as possibilidades de ele vir a ser inocentado são mínimas. O que autoriza o sociólogo a considerá-lo apto a ser votado, se a Lei da Ficha Limpa não o permitiria?

Bem, os destaques da reportagem que relatou esse disparate, assinada por Anne Warth, Daiene Cardoso, Felipe Frazão e Pedro Venceslau, publicada na página A4 deste jornal no domingo 10, a respeito da convenção da véspera, sábado 9, passam a impressão, talvez imprecisa, de que os tucanos têm uma razão forte para isso. “As urnas os condenarão (Lula e o PT) pelo desgoverno, pelo desmonte e pelas obras inacabadas”, disse o presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, governador de São Paulo e pule de dez na posição de disputante da sucessão presidencial pela legenda. Como Mané Garrincha perguntou ao técnico Feola no vestiário da partida contra a União Soviética na Copa da Suécia, os senhores combinaram com os russos?

Que nada! As ruas roucas de tanto gritar se calaram, mas qualquer pessoa que frequente um bar de periferia em qualquer metrópole brasileira sabe que nada disso resiste a um átimo de raciocínio racional. Primeiramente, para Lula se candidatar a Justiça terá de absolvê-lo, partindo do pressuposto de que o multirréu está certo: é perseguido pela Polícia Federal (PF), pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Justiça. Ou seja, sem chance!

Last but not least – por último, mas não menos importante –, como diriam os súditos de Elizabeth II, o ninho do tucanato empavonado afunda na titica. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) chegou tão perto de vencer a eleição contra Dilma e Temer que não faltam argumentos lógicos a quem acredita que a disputa foi fraudada. Desse fato emergiu a possibilidade de o neto do dr. Tancredo brilhar no cenário nacional como a voz do contra, aquele que poria fim aos desmandos e à roubalheira patrocinados pela aliança PT-PMDB na dúzia de anos anteriores. Mas qual o quê?! O sonho de consumo da sociedade indignada perdeu o cartaz ao ser identificado como “Mineirinho” no propinoduto da Odebrecht.

Flagrada com a boca na botija imunda, a esperança nacional reencarnada passou a ser vista como um réprobo, uma figura a respeito da qual nenhuma família decente comenta algo na ceia diante das crianças. Seus instintos assassinos revelados entre palavras de baixíssimo calão lhe reservaram um lugar no fundo do lixo da História, ao lado dos notórios Eduardo Cunha e Sérgio Cabral. E o partido afundou junto no lamaçal da vergonha alheia. Sua passagem pelo ato em que Fernando Henrique e Alckmin falaram foi sintetizado no olho da reportagem do Estado a esse respeito: “Investigado na Lava Jato, senador mineiro não foi anunciado em convenção, não fez discurso e foi vaiado”.

Essas duas evidências, se não eliminam, no mínimo dificultam esse paraíso na Terra dos tucanos emplumados no qual o multirréu será perdoado e ungido candidato só para perder para Alckmin. Baseados em quê? “Eu ganhei de Lula duas vezes”, contou Fernando Henrique. É verdade. E daí? Por enquanto, o PSDB perdeu até o respeito pela própria História, ao aceitar cargos do presidente que os derrotou nas urnas e não fechar questão em prol da reforma da Previdência – não por ele, mas por nós.

Há, entretanto, algo ainda mais sórdido e grave na escolha de Lula como rival preferencial pelos tucanos nas eleições gerais do ano que vem: é a suprema soberba que os maiorais do partido assumem de que eles se acham acima do bem, do mal e da Constituição. Que autoridade tem o PSDB para abolir o Estado de Direito, no qual o império deve ser da lei (e não dos parlapatões da política), para atropelar uma norma legal de iniciativa popular e firmar um alvará de soltura para um condenado contra o qual foram apresentadas carradas de denúncias, delações e provas? A Veja da semana traz uma foto de Lula com o ex-ditador líbio Muamar Kadafi ilustrando a notícia de que, em sua proposta de delação, o ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de madame Rousseff promete contar que o PT recebeu US$ 1 milhão para a campanha do então candidato e presidente, em 2002. Agora já não se trata apenas de corrupção pesada, mas de grave crime de traição à Pátria. Ao qual os tucanos se acumpliciam.

Enquanto Lula “voltava à cena do crime” (no dizer de Alckmin) no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e cometia o desatino de inculpar policiais federais, procuradores e o juiz Sergio Moro pela roubalheira na Petrobrás, cometida em seus dois mandatos e em mais um e meio de sua afilhada, os tucanos ofereciam seu pescoço ao eleitorado. Isso lembra o conselho de Antônio Carlos Magalhães, que os tucanos adotaram como deles, de não votarem o impeachment do “sapo barbudo” (apud Brizola) para “sangrarem o porco” na eleição de 2006. Resultado: Lula esmagou Alckmin em 2006 e Dilma repetiu o feito sobre Serra em 2010 e Aécio em 2014. Como disse Talleyrand sobre os Bourbons, os sabichões “não aprenderam nada e não esqueceram nada”.

Será que eles acham que, se anistiarem seu adversário preferido, também serão eles perdoados? OK, está tudo muito bom, está tudo muito bem, eles venceram, batatas fritas... Mas, nesse caso, que diacho de democracia é a esta, hein?

*Jornalista, poeta e escritor

"Os cortes nas estatais", editorial do Estadão

Transformadas pelo governo petista em abrigo bem remunerado para a companheirada e, sobretudo, em fonte de renda ilegal para o partido no poder, seus aliados e dirigentes políticos, as empresas estatais federais estão sendo lentamente saneadas. Embora continuem a ter grande peso na economia, elas estão encolhendo. Essa medida era indispensável para limpá-las das nocivas consequências da corrupção nelas instalada pela gestão petista e que a crise econômica e fiscal tornou urgente.

Submetidas, em geral, a severo processo de ajuste financeiro e estrutural, essas empresas reduziram seu quadro de pessoal e sua dívida total. Também cortaram investimentos, que, até o fim do terceiro trimestre, corresponderam a apenas 37,4% do que havia sido programado. Mais eficientes, geram mais lucros para seus controladores. Este é o quadro atual das estatais apresentado pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, órgão do Ministério do Planejamento encarregado de acompanhar o desempenho das empresas controladas pelo governo federal.

Um dos dados mais expressivos sobre o ajuste a que essas empresas estão submetidas é o de pessoal. Desde 2014, foram cortados 46 mil postos de trabalho, mas, das demissões totais dos últimos anos, 26.336 ocorreram nos três primeiros trimestres de 2017. Boa parte dessa redução se deve a programas de demissões voluntárias que muitas estatais ofereceram a seus empregados. A Petrobrás reduziu seu quadro de pessoal em 7,95%, com o corte de 4.019 empregados. Na Caixa Econômica Federal, o corte correspondeu a 7,58% do quadro (7.199 demissões). Os Correios dispensaram 7.129 empregados e o Banco do Brasil, 2.676.

O total de empregados caiu para 506.852 pessoas no fim de setembro, um número ainda grande, mas que pode ficar abaixo de 500 mil até o fim do ano. Isso é “plenamente factível”, de acordo com o secretário de Coordenação das Estatais, Fernando Soares. É um exemplo do rigor adotado pelos gestores que assumiram a direção dessas empresas após o afastamento do lulopetismo. O objetivo, segundo Soares, é “recuperar as estatais, reduzir custo, elevar produtividade”, além de aproximar seus resultados dos indicadores de mercado e assegurar sua sustentabilidade.

O número de estatais federais caiu de 156 em maio do ano passado para 149 no fim de setembro. Para reduzir o peso das estatais na economia, o governo já programou a venda do controle da Eletrobrás bem como a privatização de empresas hoje controladas pela estatal do setor elétrico.

Além da redução do custo da folha de pagamento, o conjunto das estatais federais vem apresentando outros ganhos. Em 2015, o resultado líquido dessas empresas tinha sido um déficit de R$ 32 bilhões, mais um retrato do desastre econômico que foi o início do segundo mandato de Dilma Rousseff, afinal afastada da Presidência da República. Esse resultado negativo foi revertido em 2016, quando o conjunto das estatais apresentou lucro de R$ 4,6 bilhões. Até o fim do terceiro trimestre deste ano, o lucro acumulado somava R$ 23,2 bilhões.

A melhora dos resultados tem contribuído para a valorização das estatais com ações cotadas em bolsa. No fim do terceiro trimestre, as ações da Petrobrás haviam subido 7,8% em relação a igual período do ano passado. O valor de mercado da empresa alcançou R$ 203 bilhões. As ações do Banco do Brasil, de sua parte, subiram 53,1% e o valor de mercado da instituição alcançou R$ 100 bilhões.

O ajuste tem implicado a redução também dos investimentos, especialmente os da Petrobrás, responsável pela maior parcela do que as estatais federais investem. De janeiro a setembro, do total de R$ 91,5 bilhões em investimentos programados, apenas R$ 34,3 bilhões, ou 37,4% do total, haviam sido efetivamente aplicados. É o menor porcentual desde 2008, ano em que a economia mundial foi duramente afetada pela quebra do setor imobiliário americano.

O que acontecer na política e na Justiça após julgamento de Lula?

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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

64% da população já se aposenta por idade, afirma ministro

Presidente Michel Temer entre os ministros Henrique Meirelles (esq.) e Dyogo Oliveira (dir.)
Presidente Michel Temer entre os ministros Henrique Meirelles (esq.) e Dyogo Oliveira (dir.)

Alan Marques - 22.dez.2016/Folhapress



Maeli Prado - Folha de São Paulo


Quase 64% dos brasileiros, cujos benefícios previdenciários são iguais a um salário mínimo, já se aposentam por idade no Brasil, afirmou o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, durante apresentação na CMO (Comissão Mista de Orçamento) nesta terça-feira (12).

No Norte e Nordeste, destacou ele, esse percentual é de 85%.

A dez dias do fim do prazo para a aprovação da reforma em 2017, o ministro destacou aos parlamentares da comissão que essa é a parcela mais pobre da população, que tem dificuldade de se aposentar por tempo de contribuição porque tem menos acesso a empregos com carteira assinada.

"É um sistema que tira de quem ganha menos para dar a quem ganha mais", afirmou Oliveira. "[A reforma da Previdência] é uma questão de Justiça, simples assim. Quem se opõe à reforma só tem um interesse: manter privilégios", completou.

A reforma da Previdência, que o governo tenta aprovar ainda neste ano, prevê que a idade mínima de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens seja obrigatória.

SEM PAPAI NOEL

Respondendo aos argumentos dos parlamentares presentes de que há outras fontes de recursos para evitar mexer na Previdência, como acabar com a sonegação de impostos, o ministro declarou que a Receita Federal tem mais de 30 mil servidores dedicados a cobrar tributos não pagos.

"Uma forma de lidar com o problema é acreditar na realidade, outra é acreditar que existe Papai Noel. Eu não acredito em Papai Noel. O governo não tem dinheiro, o governo tira dinheiro dos contribuientes e paga a Previdência, salários, aposentadorias. Temos que estabilizar esse deficit. Não estamos falando nem em zerar, estamos falando em estabilizar."

Ele rebateu ainda as críticas da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) de que o rombo da Previdência existe somente porque o Orçamento da seguridade social (saúde, assistência social e Previdência) é usado para outros propósitos.

Oliveira lembrou que, mesmo que se levar em conta somente a rubrica da seguridade social, a partir de 2016 as contas da seguridade já começam a apresentar deficit, ritmo que se manterá daqui para a frente.

"Não estamos tratando de contabilidade. Estamos tratando do futuro do Brasil, de crescimento, de emprego", declarou.

DESBLOQUEIO

Em entrevista à imprensa após sua participação na comissão, Oliveira declarou que acredita que o piso do crescimento do PIB neste ano é de 1%. "Se o PIB não cair no quarto trimestre, cresceremos 1% neste ano", disse.

O ministro não afastou a possibilidade de liberação de mais recursos do Orçamento nas próximas semanas, mas tentou separar esse desbloqueio da tentativa de aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano.

"Temos uma sistemática prevista de revisões períódicas de receitas e despesas. Ainda não iniciamos esse processo, e se fizermos uma revisão com resultado, vamos anunciar", disse. "Até porque muito órgãos estão com recursos muito baixos para atender esses compromissos, não tem a ver com a dinâmica do Congresso e esse é um processo que o governo sempre faz", completou.







Advogados brasileiros denunciam Maduro no Tribunal Penal Internacional

Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Maristela Basso, subscritores da acusação, alegam que Venezuela 'transformou-se em uma ditadura sanguinolenta, em especial após a ascensão da Assembleia Nacional Constituinte, não havendo mais um sistema de freios e contrapesos em vigor ou mesmo independência entre os Poderes'






Fausto Macedo e Julia Affonso, O Estado de São Paulo





Nicolás Maduro. Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters


Um grupo de advogados de São Paulo protocolou denúncia contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, junto ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pela prática de crimes contra a humanidade e de crime de genocídio.

Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Maristela Basso, subscritores da denúncia, alegam que a Venezuela ‘transformou-se em uma ditadura sanguinolenta, em especial após a ascensão da Assembleia Nacional Constituinte, não havendo mais um sistema de freios e contrapesos em vigor ou mesmo independência entre os Poderes, estando todos à mercê de Maduro’.

Segundo os advogados, ‘o cenário de inúmeras denúncias de prática de tortura sistemática, prisões em massa, perseguições políticas e assassinatos levados a cabo pelo governo venezuelano bem como a incapacidade de o Estado venezuelano investigar e punir os próprios crimes ensejam a necessária investigação por parte da Procuradora e o julgamento do Tribunal’.

Os advogados argumentam que ‘a ruptura do contrato social firmado na ordem democrática anteriormente existente ocasiona o surgimento de um Estado criminoso, cuja concentração de poder encontra-se unicamente nas mãos de Maduro, contrariando frontalmente princípios de um Estado democrático de direito’.

Por ter assinado e ratificado o Estatuto de Roma, a Venezuela submete-se à jurisdição do Tribunal Penal Internacional, sendo, possível, portanto, que seus cidadãos, inclusive seu Presidente em exercício, sejam julgados pela prática de crimes contra a humanidade.

COM A PALAVRA, A VENEZUELA
A reportagem fez contato com a Embaixada da Venezuela em Brasília. O espaço está aberto para manifestação.

"Ricos e pobres no Brasil", por Roberto DaMatta

O Globo

Ser rico no país é bom, mas deve ser dissimulado. Provavelmente porque a riqueza (mas não a nobreza) tem, na sua concepção brasileira, um toque balzaquiano de roubalheira


Na “Folha de S.Paulo” do dia 6 do corrente, leio que “90% dos brasileiros acreditam estar entre os mais pobres” — ou seja, nove entre dez de nós se classificam como estando na população com renda mais baixa do país, escapando da classificação como ricos, de acordo com a pesquisa realizada pelo Datafolha.

A matéria assinada por Júlia Barbon reitera os mesmos achados de uma pesquisa qualitativamente orientada que realizei com a colaboração da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, em 2003, ao mesmo tempo em que abre a oportunidade de elaborar outras dimensões afins a esse tema crucial.
Numa pesquisa realizada há mais de uma década, encontrei os mesmos resultados: apenas 2% dos brasileiros seriam ricos! A maioria absoluta (98%) dos investigados considerava-se “classe média” ou “pobres”. E, eis um dado surpreendente: 33% da classe de consumo A-B (caracterizada pelos parâmetros da época) definiam-se como pobres!

Ser rico no Brasil é bom, mas deve ser dissimulado. Provavelmente, porque a riqueza (mas não a nobreza) tem, na sua concepção brasileira, um toque balzaquiano de roubalheira, de má-fé ou de — adivinhem! — corrupção. E os jornais estão aí para demonstrar isso de modo avassalador.
Numa entrevista realizada em São Paulo, em 1992, numa pesquisa que originou o projeto da FGV, um informante de “classe média” insistia em dizer que era “pobre” enquanto eu tentava inutilmente demovê-lo, apontando para os bens que possuía. Um ponto demarcador de sua opinião porém, era definitivo. “Sou ‘pobre’ — explicava — porque tenho que trabalhar!” O trabalho como batente e castigo, e não como chamado, ideal ou vocação, obrigava-o a sair de casa.

Não há dúvida de que os “ricos” são lidos no Brasil como milionários e, por isso, quem pertence tecnicamente e por critérios “objetivos” (bens, moradia, educação etc...) à chamada “classe média” se diz “pobre”. Na minha opinião, o eixo rico/pobre é fundacional na cosmologia brasileira marcada pela escravidão e por gradações.

O sumiço dos ricos não seria porque os pobres não têm ideia da miséria geral e da imensa desvalorização do trabalho, mas porque têm uma clara noção da enormidade dos seus ganhos e estilo de vida, tal como encontrei nos meus achados dos anos 90 (a serem publicados em livro no próximo ano). Os “ricos” são os que escapam do trabalho. São os que, além de terem mochilas e malas de dinheiro, têm os bens bloqueados pela Justiça, possuem sítios e muitas moradias e — eis um ponto importante — são abençoados com sorte, talento (caso dos artistas e astros de futebol) e com a “política” que os leva ao “governo” — cujos tesouros, sendo vagamente de todos, não são de ninguém...

A desconfiança da riqueza obriga a escondê-la. Bom seria fazer uma pesquisa com os muitos ricos.

Suas respostas ajudariam a determinar quem é pobre e, indo além, compreender a mitologia da “classe média” — essa criação do capitalismo americano.

Um outro elemento que o nosso trabalho revelou foi a crença absoluta na impossibilidade de jamais liquidar a polaridade rico e pobre. Para os nossos entrevistados, ricos e pobres estavam ligados por laços de dependência, o que certamente explicava a legitimação de riqueza espúria, desde que quem conseguisse locupletar-se não deixasse de lado suas obrigações morais com os pobres. E aí, penso, está o centro do nosso populismo. Os ricos precisam dos pobres e estes dos ricos. Há um enlace ético que, obviamente, dispensa soluções liberais, leva à tentação do despotismo populista, amplia a idealização do Estado como um estabilizador social exclusivo e elimina as classes intermediarias.

Não teríamos luta de classes, mas um pacto entre ricos e pobres. Estes “cuidando” daqueles, como gostam de prometer os populistas.

A ausência da visão quantitativa (saber com mais precisão quanto ganham os outros) leva a um reforço da desigualdade, vista não como um erro ou engano do sistema, mas como um valor cosmológico essencial e, neste sentido, correto, como mostram as análises críticas do capitalismo. A “classe média” como uma mediatriz entre os extremos de riqueza e pobreza não tem lugar numa sociedade que saiu do escravagismo sem abandonar sua matriz aristocrática, na qual ninguém é igual.

Nem perante a lei, nem perante o Estado, o qual, no caso do Brasil, salvou da “pobreza” a massa de “brancos” apadrinhados que não podiam realizar as tarefas destinadas aos ex-escravos. Não era por acaso que minha avó chamava a nossa família de funcionários públicos de “pobres envergonhados”.
Há mais a dizer, mas sugiro que o leitor aguarde o livro.

Roberto DaMatta é antropólogo


Justiça definirá o ‘norte’ de eleição que tem Lula, maior corrupto do Brasil, como bússola. Coisa de republiqueta de banana


O ex-presidente Lula em caravana pelo estado do Rio
- MAURO PIMENTEL / AFP

Paulo Celso Pereira - O Globo


Os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região terão o dever de julgar o ex-presidente Lula de acordo com o que está nos autos. Mas seja qual for a decisão tomada, ela tende a provocar uma refundação da corrida eleitoral. Não é exagero dizer que o dia 24 de janeiro definirá o ano de 2018, e possivelmente os próximos anos da política brasileira.

O ex-presidente Lula não é apenas o líder de uma disputa presidencial. As candidaturas à sucessão do presidente Michel Temer vêm se delineando tendo o petista como uma bússola: os candidatos são apresentados, desde o primeiro momento, como adversários ou aliados de Lula.


INFOGRÁFICO: A cronologia do caso do tríplex do Guarujá

Se o ex-presidente for absolvido, o campo da esquerda tende a se unir em torno daquele que quase indubitavelmente estará no segundo turno. Em uma eleição de recursos escassos, é difícil acreditar que partidos como PCdoB, Psol e mesmo PDT gastem de fato suas energias — e finanças — na luta inglória para crescer sobre uma figura que monopoliza seu campo político.

No centro e na direita, por outro lado, a tendência é que se intensifique imediatamente uma corrida pelo voto útil anti-Lula. Ou seja, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Henrique Meirelles e quem mais aparecer pela frente terão como único caminho se apresentarem como o mais capacitado a derrotar o ex-presidente no segundo turno.


Se Lula, no entanto, for condenado — e consequentemente se tornar inelegível — a disputa eleitoral deve partir para uma pulverização total, lembrando 1989. De acordo com o último Datafolha, divulgado há dez dias, Jair Bolsonaro lideraria a corrida, mas seguido de perto por Marina, e esta por Ciro e Alckmin.

De acordo com a mesma sondagem, 29% dos eleitores votariam no candidato apoiado por Lula. Só que a saída dele tende a fragmentar o campo da esquerda. Ciro Gomes (PDT), Manoela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos e provavelmente outro nome do PT — hoje são cotados Jaques Wagner e Fernando Haddad — lutariam pelo espólio.

Quando montou suas caravanas para propagar a ideia de que sua eventual condenação significaria uma fraude eleitoral, o objetivo de Lula era pressionar os juízes. A única coisa que já conseguiu, de fato, foi dar mais atenção à sua possível saída da disputa eleitoral do que à hipótese de tornar-se o primeiro ex-presidente brasileiro a ir para trás das grades.



Ao julgar Lula, corrupto número 1 do Brasil, TRF-4 depura o processo eleitoral

Com Blog do Josias - UOL





O grande problema do Brasil é a distância entre o crime e a Justiça. O crime é perto. E a Justiça mora muito longe. Ao encurtar a distância entre a condenação de Lula à pena de nove anos e meio de cadeia e o julgamento do recurso do ex-presidente contra a sentença de Sergio Moro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região presta à sociedade brasileira o inestimável serviço de depurar o processo eleitoral de 2018.

Lula frequenta as pesquisas como líder. De acordo com o Datafolha, ele oscila entre 34% e 37%, dependendo do cenário. Está bem à frente do segundo colocado, Jair Bolsonaro, que trafega na faixa entre 17% e 19%. A despeito da aparente consolidação de uma disputa entre extremos opostos, a situação penal de Lula transforma o eleitor em coadjuvante. Ao proferir o veredicto, em 24 de janeiro, o TRF-4 abdicará do papel de protagonista, devolvendo o eleitor ao centro do palco.

Se condenarem Lula, os desembargadores farão do favorito do PT um corrupto inelegível, sujeito a tornar-se hóspede do sistema carcerário. Se o líder petista for absolvido, o pedaço do eleitorado que gosta dele poderá pressionar o número 13 na urna eletrônica sem ser assaltado (ops!) pela incômoda sensação de votar num ficha-suja.

De antemão, o PT avisa que recorrerá a instâncias superiores em caso de condenação. No Supremo Tribunal Federal, alegará cerceamento de defesa e perseguição política. No Tribunal Superior Eleitoral, guerreará pela manutenção da candidatura em pé. Ao marcar para janeiro o seu julgamento, o TRF-4 oferece aos outros tribunais tempo de sobra para que se juntem ao esforço para higienizar o processo eleitoral.

A defesa de Lula reclama da eficiência do tribunal federal. É como se os advogados não confiassem na inocência do cliente. Prefeririam uma Justiça que, além de cega, tivesse a balança desregulada e a espada sem fio. Em verdade, o TRF-4 faz com Lula o que o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça deveriam fazer com as duas centenas de políticos que aguardam na fila por um veredicto.

São tantos os investigados, denunciados e réus que não restará ao eleitor senão praguejar ao pé da urna: “Livrai-me da Justiça, que dos corruptos me livro eu.”

Investidores hipotecam casas para comprar bitcoin nos EUA

Bitcoin - Dado Ruvic / Reuters

O Globo


De um lado ao outro do globo, o bitcoin tem dado o que falar. Enquanto a Coreia do Sul ameaça proibir transações com a moeda e o governo da Coreia do Norte faz ataques hacker para roubar a divisa, nos EUA, investidores chegam a hipotecar suas casas para conseguir comprar bitcoins. É o que diz a Associação de Administradores de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, nesta segunda-feira.

"Nós temos visto pessoas hipotecando suas casas para comprar bitcoin, recorrem a cartões de crédito", disse Joseph Borg, presidente da associação, à rede de TV CNBC.

Borg alerta para o fato de que as pessoas que estão assumindo tais riscos não são investidores com grande patrimônio e que não necessitam da renda. Pelo contrário, são pessoas que ganham, em média, US$ 100 mil por ano, e têm hipoteca e faculdade dos filhos para pagar.


"As pessoas estão na fase da mania. Em algum ponto, haverá um nivelamento. As criptmoedas estão aqui para ficar. O blockchain está aqui para ficar. Se será o bitcoin ou não, eu não sei", disse.
Além disso, Borg não acredita que a negociação de bitcoin por meio de contratos futuros na Bolsa de Chicago (Cboe) legitima a moeda. Segundo ele, inovação e tecnologia sempre vão superar as regulamentações.

"Enquanto a tecnologia continua a acelerar e a crescer, reguladores precisam entender sobre a novidade que está sendo desenvolvida, e ainda precisamos aprender muito sobre isso", concluiu.