sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Arrecadação cresce mais de 8% em setembro e soma R$ 105,6 bilhões

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Ministro dos Transportes quer excluir Congonhas de lista de privatizações

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Fernando Gabeira e 'a arte de blindar no Planalto Central'

O Estado de São Paulo


Os idos de 64 já vão longe, embora existam algumas semelhanças com o presente. Hoje a situação internacional é favorável à democracia, o Brasil está mais ligado ao mundo. E a tese fundamental é de que sociedade tem a capacidade de resolver por si a grande crise em que está metida.
Essa tese é também a razão da nossa esperança, não há a mínima condição de abandoná-la. No entanto, ela sofreu um golpe no processo que envolveu o Supremo e o Senado, culminando com a suspensão das medidas cautelares aplicadas ao senador Aécio Neves.
Já é grande o número de pessoas que não acreditam em solução democrática para a crise. Quem observar o discutido discurso do general Mourão, que admitiu a possibilidade de intervenção militar, verá que ele coloca como um dos fatores que a justificariam a incapacidade da Justiça de punir a corrupção no mundo político. E a melhor maneira de negar essa perspectiva sombria é, precisamente, demonstrar o contrário: que a Justiça cumprirá o seu papel, restando à sociedade completar a tarefa com mudanças em 2018.
O Supremo ia nesse caminho quando esteve prestes a derrubar o foro privilegiado. Quem assistiu às discussões teve a impressão de que venceria a expectativa da sociedade de que a lei vale para todos. Mas o mesmo Supremo que mostrava tendência a derrubar o foro privilegiado suspendeu a decisão e, em seguida, deu um passo no sentido oposto: ampliou a blindagem dos políticos, submetendo medidas cautelares ao crivo do Parlamento.
Quem ouviu o discurso da ministra Cármen Lúcia num primeiro momento teve a impressão de que sua posição era contrária ao foro privilegiado. Na votação posterior, porém, recuou. Titubeando, mas recuou.
O Supremo decidiu abrir mão de uma prerrogativa. Afastar do mandato ou determinar recolhimento noturno não é o mesmo que prisão. É uma contingência das investigações.
Claro que, ao entregar a decisão ao Senado, as medidas cautelares seriam derrubadas. Entre todos os discursos, o mais cristalino foi o do senador Roberto Rocha. Ele citou um poema que dizia mais ou menos isto: se deixarem levar alguém hoje, amanhã levarão outro e o último estará sozinho quando vierem buscá-lo. É uma ideia interessante no contexto de países totalitários, a prisão é ameaça válida para todos os indivíduos. Mas Rocha não estava falando de um país, e sim do próprio Senado, uma Casa cheia de investigados pela Lava Jato cavando a última trincheira na areia movediça.
Outro passo atrás está a caminho no Supremo: recuar da prisão após sentença em segunda instância. Isso significa a possibilidade ser preso só depois de morto, no caixão!
Não sei como esses recuos serão metabolizados. Certamente, tornam mais difícil o caminho de uma solução democrática. Provocam indiferença enojada em muitas pessoas, em outras apenas reforçam o desejo de uma saída autoritária.
Apesar de tudo, não se pode dizer que todo o Supremo e todo o Senado tenham cavado mais um fosso de decepção. Tanto num como no outro há vozes discordantes.
No Supremo deu empate, resolvido com um hesitante voto de Minerva. No Senado, pouquíssimos entre os que votaram contra Aécio defendem a tese de que o Supremo deveria ter a decisão final, retomar o poder de definir medidas cautelares sem consultar o Congresso.
Isso significa que a maioria, incluído o PT, já considera como uma conquista irreversível o poder de dar a palavra final. Ganharam um escudo e vão usá-lo quando quiserem.
Imagino que o STF tenha tomado a decisão de abrir mão da palavra final na expectativa de evitar uma crise entre instituições, num momento de desemprego, tensões políticas. Mas certas crises têm de ser enfrentadas e vencidas. O Congresso está de costas para a sociedade. Se a Justiça, no caso de Aécio, não se impõe e, no caso de Temer, não consegue permissão para investigá-lo, acaba transmitindo a impressão de que é impossível a lei valer para todos.
O Supremo, penso eu, poderia voltar a dar um passo adiante, retomando a votação do foro privilegiado. O ministro Alexandre de Moraes pediu vista. É estranho que um ministro não tenha ainda posição sobre o tema. Ele tem concedido entrevistas sobre revisar a prisão em segunda instância, o que significa caminhar no sentido inverso.
Moraes transmite a impressão de que está pronto para dar um passo atrás e precisa estudar muito ainda para votar um passo à frente. “Which side are you on?”, pergunta a canção de Dropkick Murphys.
O caminho que reforça o velho sistema político-partidário e fortalece a impunidade acaba sendo um grande obstáculo à democracia, embora se revista de uma retórica democrática, sempre defendendo a Constituição, o direito dos acusados, a liberdade. Mas algumas belas abstrações se revelam, na prática, apenas uma forma de proteger um sistema poderoso e sofisticado de corrupção.
A versão poética do senador Roberto Rocha é mais próxima da realidade. Se deixarem levar um a um, acabam levando todos. É uma variante dramática do verso “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”. Mas apenas próxima da realidade: alguns votaram com naturalidade contra a blindagem não só de Aécio, mas do conjunto dos parlamentares.
Essas batalhas, contudo, não se resolvem apenas dentro das instituições. Elas dependem da sociedade, ou pelo menos de quem compreende que e a solução autoritária é um trágico passo atrás. Um passo razoável seria acionar mais o que resta de apoio nas instituições e travar um amplo diálogo sobre como evitar o pior. No desespero da autodefesa, o sistema político-partidário não hesita em pôr em risco a própria democracia.
Gostaria de estar dramatizando. Sei que 64 está distante, todavia a conjuntura externa favorável e o nível de informação ampliado na era digital são fatores que não bastam para garantir uma saída democrática. Ela precisa de uma pequena ajuda dos amigos.
Para se defender, o sistema político não hesita em pôr a democracia em risco

Brasil voltou a ser um dos melhores mercados, diz Delta Airlines (bastou expelir a organização criminosa do Lula)

David Goldman/Associated Press
FILE - In this Thursday, Oct. 13, 2016, file photo, a Delta Air Lines sign overlooks the unloading area at Hartsfield-Jackson Atlanta International Airport, in Atlanta. On Tuesday, July 25, 2017, Delta Air Lines apologized after an argument between a pilot and a flight attendant delayed a Delta Connection flight on Monday from New York's LaGuardia Airport to Portland, Maine. The flight was operated by Delta subsidiary Endeavor Air. (AP Photo/David Goldman, File) ORG XMIT: NYBZ246
Letreiro da Delta Airlines no aeroporto internacional de Atlanta, nos Estados Unidos

Acionista poderá ter no máximo 10% de controle na Eletrobras, diz ministro

Renato Costa/FramePhoto/Folhapress
O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, fala sobre privatização da Eletrobras durante audiência pública em Brasília, nesta terça
O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, fala sobre privatização da Eletrobras em Brasília

"Saia de cena", editorial da Folha de São Paulo

Sergio Lima/Folhapress
Brazilian Senator Aecio Neves gestures during a session of the Federal Senate in Brasilia, on October 18, 2017. The Brazilian Senate revoked the suspension decision of the Supreme Federal Court (STF) and Neves returned to office. / AFP PHOTO / Sergio LIMA ORG XMIT: SLI
O senador Aécio Neves, que retornou ao Senado nesta quarta (18)

Folha de São Paulo

Mais que vexaminosa, a situação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) tornou-se insustentável. Depois de ter-se apresentado ao país na eleição de 2014 como alternativa ao quadro de degradação que se revelava com os progressos da Lava Jato, o tucano foi flagrado no descumprimento de normas elementares de conduta.

As gravações que se tornaram públicas, nas quais aparece pedindo dinheiro ao empresário Joesley Batista (JBS), são estarrecedoras. A transação, toda ela realizada de forma sorrateira, culmina com um emissário do senador recebendo somas em dinheiro vivo.

É certo que o caso terá de ser objeto de um processo legal que permitirá a Aécio Neves exercer amplo direito de defesa —quando poderá oferecer, aliás, as explicações até aqui sonegadas ao país.

Nesse caso, afinal, ninguém pode se dar por satisfeito com afirmações de advogados segundo as quais tudo não passou de mero pedido de empréstimo privado.

Se outras suspeitas já cercavam o ex-governador de Minas Gerais antes das gravações, a divulgação do áudio trouxe à luz motivos mais do que suficientes para que se afastasse ou fosse afastado do cargo por seus pares.

Mas não. Nem mesmo se tomou a providência mínima de submeter o tucano ao Conselho de Ética do Senado.

Aécio Neves também se recusou a abandonar a presidência de seu partido, tendo optado por uma simples licença. Criou com esse estratagema um arranjo tão ambíguo quanto costumam ser algumas decisões hesitantes do PSDB.

Os tucanos, aliás, a reforçar a fama de divididos e vacilantes, não conseguem tratar o imbróglio com a devida objetividade e retidão.

Numa atitude tortuosa, acompanharam a maioria dos senadores na revogação das medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal, mas, encerrada a sessão, pediram ao parlamentar que deixasse o comando da sigla.

A presença de Aécio Neves no Legislativo serve apenas para turvar ainda mais um quadro político já revolto e atravessado por incertezas. Infelizmente o mineiro, que teve a oportunidade de seguir uma trajetória promissora, traiu seus eleitores e desonrou o legado de Tancredo Neves, seu avô.

Sua presença na vida pública, como se nada de grave tivesse ocorrido, põe em risco a credibilidade e o equilíbrio do Judiciário e da Lava Jato. Fica no ar a impressão de que no meio político alguns são menos passíveis de punição do que outros.

Deveria o senador retirar-se de cena e tratar de sua defesa —mas isso, ao que parece, é esperar demais de alguém que não tem exibido os requisitos éticos e morais para agir com grandeza.

"Educação e eleições formando cidadãos competentes para o século 21", por Cláudia Costin

Adriano Vizoni - 27.ago.2015/Folhapress
MUNIZ FREIRE - ES - BRASIL, 27-08-2015, 16h20: GESTAO ESCOLAR. Escola Estadual de Ensino Medio Maria Candido Kneipp, escola publica na zona rural do interior do Espirito Santo que teve a melhor avaliacao segundo o ENEM. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress, ESPECIAIS) ***EXCLUSIVO FSP***
Sala de aula em escola do Espírito Santo

Folha de São Paulo

Estudo divulgado nesta semana pelo Instituto Ayrton Senna mostra que um em cada quatro jovens de 15 a 17 anos vai abandonar a escola antes do fim do ano.

Alguns voltarão a se matricular, mas cerca de 15% dos jovens dessa faixa etária não retornam. Houve uma estagnação no número de matrículas dos jovens de 15 a 16 anos e mesmo um crescimento dos de 17 que estão fora da escola nos últimos 15 anos.

Claramente, andamos para trás. As consequências dessa situação são visíveis: num mundo em que a composição do emprego mudou de forma importante, com automação de atividades rotineiras e fechamento de postos de trabalho, a falta de acesso a níveis mais elevados de educação vaticina um futuro muito ruim para esses adolescentes e não nos permite antever a retomada do crescimento da produtividade do país, há anos estagnada.

Por que esses jovens abandonam a escola? Os motivos são diversos, como casamento precoce e dificuldades financeiras, mas certamente o desinteresse pelo que é ensinado é fator importante. Se sinto que não estou aprendendo, num ensino médio que tenta comprimir cerca de 13 disciplinas em quatro horas diárias de aula, com salas lotadas, tendo a buscar alternativas mais interessantes.

Algo precisa ser feito com urgência, pois, no ritmo atual, alerta o estudo liderado por Ricardo Paes de Barros, levaremos 200 anos para atingir a meta prevista no Plano Nacional de Educação para o fim de 2016 de colocar todos os jovens de 15 a 17 anos na escola. Afinal, num país cada vez mais desesperançado, a educação deveria ser o eixo de reconstrução nacional e o ponto de convergência dos esforços para transformar a realidade.

As eleições de 2018 colocam uma oportunidade de nos organizarmos para isso. Sem educação de qualidade para todos —o que não quer dizer não só acesso ao ensino médio e melhoria das taxas de conclusão, hoje ainda na ordem de 59% para jovens de 19 anos, como melhorias na profissão de professor e em sua formação na universidade—, não haverá cidadania consciente, crescimento sustentável e fim da violência.

Em diferentes espaços, organizações da sociedade civil têm se articulado para propor as mudanças necessárias à reconstrução do Brasil. Jovens lançam movimentos suprapartidários para participar do processo com regras pactuadas entre eles sobre ética e busca de justiça social na política.

As primeiras candidaturas começam a aparecer, mas falta um eixo, um ponto a partir do qual todo o resto se constrói.

Que uma educação de qualidade para todos, que prepare o Brasil para o século 21, seja o centro das novas reflexões e propostas.

Aluno atira contra colegas em escola em Goiânia e mata ao menos dois. Lula solto é estímulo ao crime e à impunidade

Reprodução/Facebook
Colégio Goyases, em Goiânia, onde crianças foram vítimas de tiroteio
Colégio Goyases, em Goiânia, onde crianças foram vítimas de tiroteio


Cleomar Almeida - Folha de São Paulo


Dois adolescentes de 12 e 13 anos morreram e outras cinco pessoas ficaram feridas, no início da tarde desta sexta-feira (20), em um ataque a tiros à escola particular Goyases, em Goiânia. O helicóptero do Grupo de Radio Patrulha Aérea encaminhou uma das vítimas do tiroteio ao Hospital de Urgências de Goiânia.

O adolescente que disparou os tiros seria estudante do oitavo ano da escola e filho de militares, de acordo com a Polícia Militar. Ele foi apreendido pela polícia, mas o local para o qual ele foi levado não foi divulgado.

Segundo informações coletadas no local pela polícia, o adolescente sofria bullying e teria usado a arma de seu pai.

Atirador e vítimas eram da mesma sala. Na porta do colégio, estudantes disseram à reportagem que o atirador é "muito inteligente e muito calado."

Alunos estão transtornados e se lamentam na porta do colégio. "Isso não está acontecendo. O ano acabou", disse uma estudante –por serem menores de idade, a Folha preserva a identidade.

A escola, de classe média, fica na região leste de Goiânia, próxima a condomínios horizontais fechados.

A unidade de ensino oferece aulas até o nono ano do ensino fundamental, com mensalidades em torno de R$ 500.

Segundo o Corpo de Bombeiros, por volta das 11h50, uma mulher ligou para um serviço de emergência e se identificou como professora do colégio, no bairro setor Riviera. Ela contou que uma pessoa estava efetuando disparos no local.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Vídeo - 'Queria pegar a mãe do ministro (Sá Leitão) e botar de perna aberta', diz deputado Givaldo Carimbão

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Covil do PT avalia que Lula, maior corrupto da história do Brasil, pode salvar partido de fiasco em eleições parlamentares. Que país!!!

Monica Bergamo - Folha de São Paulo



Dirigentes do PT avaliam que a participação de Lula em ao menos uma etapa da campanha de 2018, ainda que ele venha a ser impugnado na reta final, é fundamental para ajudar o partido a eleger bancada mínima de senadores e deputados.

SANTO 2
Por esse raciocínio, a presença dele no horário eleitoral e em viagens nas primeiras semanas da campanha livraria o PT de um fiasco nas eleições parlamentares.

LONGO PRAZO
Parecer do professor Luiz Fernando Casagrande Pereira, do Paraná, deu ao PT a segurança de que Lula, mesmo condenado em segunda instância, poderá ser inscrito no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em agosto de 2018 para as eleições. Eventual impugnação demoraria um mês para ser julgada, garantindo a presença dele na campanha até setembro.

MÃO ÚNICA
"Não tem mais plano B [candidatura alternativa à do ex-presidente no PT]. Discutíamos isso, mas sem nenhum ânimo. Agora estamos convencidos de que é Lula mesmo", diz o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele afirma acreditar que Lula consegue ir até o fim da campanha.

'Justiça' suspende bloqueio de bens dos Batista/grupo J&F, informa Monica Bergamo, porta-voz da organização criminosa do Lula


Folha de São Paulo


O TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) liberou os bens de Joesley e Wesley Batista, de empresas do grupo J&F.

bloqueio havia sido determinado pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Ele justificou a decisão afirmando que o acordo de delação premiada dos Batista com o Ministério Público Federal estava rescindido, e por isso caberia a decretação da medida cautelar sobre os bens.

"A decisão restabelece a legalidade do status anterior, que jamais deveria ter sido alterado pelo magistrado de primeiro grau", afirma o advogado Ticiano Figueiredo, que assina a petição junto com Pedro Ivo Velloso.

O bloqueio determinado pelo juiz Ricardo Leite atinge 21 pessoas físicas e jurídicas, incluindo os delatores Joesley e Wesley Batista, alguns parentes -José Batista Júnior, o Júnior da Friboi- e empresas do grupo. O documento foi assinado em 26 de setembro.

O juiz atendeu pedido dos investigadores, que apontaram a necessidade de aumentar o bloqueio para cobrir os danos ao erário e, assim, evitar com que "o patrimônio já confiscado seja insuficiente para reparar de modo satisfatório a lesão causada pelas condutas delituosas".

Leite citou a operação Tendão de Aquiles, em que a Polícia Federal apontou que os irmãos Joesley e Wesley continuaram a praticar crimes, "mesmo após terem sido beneficiados pelo acordo de colaboração premiada".

"Constituição respeitada, mas oportunidades perdidas", editorial de O Globo

O Senado cumpriu a determinação do Supremo Tribunal Federal e decidiu sobre o caso do senador Aécio Neves.

Assim, manteve-se intocável o fundamento constitucional da harmonia entre Poderes e legitima a própria existência do STF: sua palavra é Lei na guarda e interpretação da Carta, na aplicação do Direito e na administração de Justiça.

Tendo procedido conforme o tribunal autorizou, torna-se, portanto, inquestionável, sob o ponto de vista jurídico, a decisão legislativa sobre a permanência do senador mineiro no mandato e com imunidade estendida às medidas cautelares que haviam sido determinadas.

Ouvem-se ainda vozes argumentando que a decisão do Plenário do Supremo foi tomada por maioria apertada, como se isso lhe retirasse legitimidade. Tal argumentação é frágil na essência, sem relevo, simplesmente porque não tem importância à luz do mandamento constitucional: sobre processos e aplicação da lei é do Supremo a última palavra, por maioria ou por unanimidade — e ponto.

Uma das consequências práticas é o precedente estabelecido. Há dezenas de senadores e deputados federais envolvidos em inquéritos criminais. Até então existia margem para dúvidas sobre procedimentos nas hipóteses similares de afastamento do mandato ou adoção de medidas cautelares diversas à prisão, como prevê o Código de Processo Penal em capítulo específico.

O Supremo liquidou a incerteza quanto ao rito, baseando-se nos preceitos constitucionais. 

Em casos assim, a Casa congressual decide se referenda o ato dos juízes — como ocorreu no Senado. Assume o bônus ou o ônus da repercussão de sua opção junto à opinião pública.

É preciso ponderar, no entanto, sobre um aspecto desse processo decisório, tendo-se como referência a rota escolhida pelo Senado na terça-feira em relação ao caso do senador mineiro. Tudo indica que os senadores perderam uma oportunidade rara na política. Poderiam ter enviado à sociedade uma clara mensagem de confirmação do vigor da democracia brasileira, com expresso zelo pela separação e pela harmonia dos Poderes.

No cumprimento da autorização dada pelo Supremo, poderiam ter reafirmado a excelência do Supremo como guardião da Constituição e instância penal superior, onde atuam magistrados com conhecimento específico sobre o que é melhor ao andamento dos processos no interesse de se fazer justiça.

Se o STF considerou essencial impor a um parlamentar medidas cautelares diversas à prisão no curso de um inquérito, segundo as normas legais instituídas pelo próprio Congresso, teria sido melhor o Senado proferir a última palavra na arena política, como lhe autorizou o Supremo, mas, ao mesmo tempo, referendando as medidas cautelares que os juízes julgaram necessárias. Teria salvaguardado a sua autonomia mas também reconhecido que aqueles que entendem qual o melhor caminho para se fazer justiça são os juízes.

Reconhecer a expertise do Supremo na administração da lei teria sido, no mínimo, não apenas homenagem ao tribunal, mas um gesto afirmativo sobre as virtudes e a solidez da democracia brasileira, tantas vezes festejada pelos senadores em discursos na sessão da última terça-feira.

A causa dos sucessivos episódios de instabilidade é óbvia, o foro privilegiado. Nesse aspecto, tende a ter razão o ministro Barroso quando diz que o foro privilegiado deixa o STF no papel de juizado criminal de primeiro grau, que não é papel adequado a nenhuma Corte constitucional. O julgamento da restrição do foro especial aos chefes dos três Poderes foi interrompido no Supremo. Precisa ser retomado e concluído, até para que a eleição geral de 2018 aconteça em terreno menos acidentado. Hoje, a única certeza política possível no país é a data da eleição do ano que vem, outra ironia da solidez da Constituição que completará 30 anos em vigor.

Apesar dos percalços e desta chance perdida, vale lembrar que dentro do Congresso, nesses dias, desenvolve-se um espetáculo político cuja essência é a obediência às regras da Constituição em vigor há três décadas. No outro lado da sede do Legislativo, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara avança na análise da denúncia contra o presidente Michel Temer. Apresentada pelo Ministério Público Federal, foi encaminhada pelo Supremo para decisão dos deputados federais.

Como ocorreu com a primeira denúncia, em meados do ano, a comissão a rejeitou, no que, provavelmente, será seguida pela maioria do plenário. Essa era a perspectiva prevalecente até a noite de ontem. Qualquer que seja a decisão da Câmara, haverá sempre julgamento da opinião pública, mas é necessário ressaltar: todo o procedimento legislativo, até agora, está seguindo estritamente as balizas constitucionais, como determinou o STF.

A comissão atuou legitimamente, dentro desses limites, ao votar pela não continuação do processo enquanto Temer estiver na Presidência da República.

Mas este jornal lamenta que, numa análise em retrospecto, a realidade demonstra o que foi aqui afirmado desde a eclosão do escândalo envolvendo o presidente: o país está hipnotizado, desde maio, sem que se decidam as reformas essenciais à estabilidade nacional. O presidente, sobre quem pesam acusações de gravidade ímpar, concentra energias na sua defensa, envolvendo o ministério e os legisladores. Para que o país avançasse, melhor teria sido seu afastamento.

Não sendo esse o entendimento da Câmara como tudo está a indicar, e estando ela em seu direito constitucional, resta o apelo da sociedade aos parlamentares para que, após a decisão sobre o processo contra o presidente, concentrem esforços na agenda de reformas, principalmente as da Previdência Social e do sistema tributário.

Elas são vitais para que o país avance no calendário eleitoral de 2018 com um horizonte minimamente desanuviado na economia.


Nanotecnologia avança no agronegócio brasileiro

Cristiane Barbieri - O Estado de S.Paulo

Tradicional inovador no agronegócio e respeitado globalmente na área de pesquisas de materiais, o Brasil está começando a colher os primeiros resultados concretos no desenvolvimento de produtos criados pelo cruzamento desses dois campos do conhecimento, usando sobretudo a nanotecnologia.
Seis empresas assinaram contratos e pelo menos duas delas pretendem lançar até o meio do ano que vem novidades desenvolvidas pela Rede AgroNano (Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio). Entre elas, estão embalagens que “amadurecem” com as frutas, snacks altamente nutritivos feitos de alimentos desprezados e um hidrogel que otimiza o uso de água e fertilizantes na agricultura. “Trabalhamos com materiais que têm sensores e propriedades que mudam de acordo com os estímulos que recebem do meio ambiente”, diz Caue Ribeiro, pesquisador da Embrapa Experimentação e coordenador da Rede AgroNano. “É a fronteira futura dos materiais, aplicada ao agronegócio.”
Agronegócio
Filme comestível feito de frutas desprezadas pela indústria vira snack  Foto: Samuel Vasconcelos/Embrapa
É exatamente isso o que fazem os nanosensores colocados em tinta de imprimir e aplicados em etiquetas coladas em frutas: mudam de cor ao medir a concentração de gás etileno, emitido em maior ou menor intensidade por caquis, peras e bananas, dependendo de sua maturação. Assim, enquanto o adesivo colado numa fruta estiver roxo, ele estará indicando que ela ainda não está madura. Conforme for mudando para um tom mais acinzentado está boa para o consumo e, totalmente cinza, apodrecida. “Estamos trabalhando neste momento na escala de cores”, diz Ana Elisa Siena, sócia da Siena Idea, consultoria que faz a ponte entre centros de pesquisa e empresas. “E também num aplicativo que lerá essa escala com precisão e indicará os melhores usos para uma fruta mais ou menos madura.”
Com o protótipo em mãos, o próximo passo será testá-lo numa parceria com um grande produtor, de preferência de caquis, por causa do custo. Apesar de a etiqueta custar centavos, ela pode não valer à pena no caso de uma fruta muito barata, como bananas. Depois de calibrado o produto, Ana Elisa pretende desenvolver uma variação para outras frutas que não sejam as chamadas climatéricas, emissoras de etileno na maturação. “Inicialmente pensamos em desenvolver essas etiquetas para os produtores de fruta, mas percebemos que ela deverá interessar também ao varejo e aos exportadores”, afirma.
Filmes. No ano que vem também deverá chegar ao mercado o primeiro produto que usará os filmes biodegradáveis feitos de alimentos, desenvolvidos pela Embrapa. São nanobiosnacks de frutas, muitas vezes desprezadas pelo varejo ou pela indústria por terem imperfeições e com valor nutricional potencializado com nanonutrientes. Ainda sem nome comercial, será uma espécie de chip de batata frita (sem a fritura, claro) e está sendo feito em parceria com a Funcional Mikron, especializada em nanotecnologia para alimentos, fármacos e cosméticos. A empresa pertence ao mesmo grupo da Alibra Ingredientes, fornecedora da indústria alimentícia e Ultrapan, fabricante do suco Tampico e do energético Power Bull. “A originalidade do snack é ir ao encontro do que muitos jovens gostam e comem”, diz Eduardo Carità, diretor de tecnologia e inovação da Funcional Mikron.

Com grande potencial de múltiplos usos, os filmes biodegradáveis ainda estão no começo de sua exploração. Originalmente, a Embrapa acreditava que eles poderiam interessar à indústria de embalagens, por serem totalmente consumíveis e 100% biodegradáveis. “Nosso maior desafio, depois que a pesquisa é feita, é encontrar empresas interessadas em continuar a desenvolver soluções comerciais para a matéria-prima resultante das pesquisas”, afirma Ribeiro.
Agronegócio
Nanocomposto à base de hidrogel tem grande potencial na agricultura Foto: Samuel Vasconcelos/Embrapa
Potencial. Um deles é um nanocomposto à base de hidrogel, a mesma substância que absorve líquidos em fraldas e absorventes. Seu uso na agricultura tem grande potencial, uma vez que os nanogrãos podem armazenar água e controlar a saída de nutrientes. Assim, poderá evitar casos de quebra de safra por estiagem ou reduzir custos pela diminuição do uso de mão de obra. No momento, uma indústria química paulista negocia com a Embrapa um acordo para sua produção. “Testamos em culturas de tomate e pimentão e os resultados foram animadores”, diz. “Como a absorção é muito grande, usamos volumes pequenos de nanocompósitos, de cerca de 1% em relação aos nutrientes, o que aumenta a viabilidade do sistema.”
Summit do Agronegócio reúne especialistas em SP
O desenvolvimento de novos produtos e de mercados, baseados sobretudo na sustentabilidade, serão os principais temas dos debates do Summit Agronegócio 2017, evento que o Estado realiza em 27 de novembro, das 8 às 18 horas, no Sheraton WTC, em São Paulo. 
Entre os palestrantes, os ex-ministros da Agricultura Roberto Rodrigues e Reinhold Stephanes e o vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Tarcísio Hubner falarão sobre tendências e perspectivas para o setor. Também estão confirmados Fabio Mota, da Raízen, e Marcos da Rosa, presidente da Aprosoja Brasil, entre outros.
O patrocínio é da Associação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). O evento é voltado para interessados no setor, com desconto para assinantes do ‘Estado’ e para quem fizer a inscrição até 10 de novembro. Os ingressos estão à venda no sitehttp://summitagronegocio.com.br/.

PSDB não deve entregar novos votos pró-Temer

Igor Gadelha e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

O PSDB não deve entregar novos votos para ajudar o presidente Michel Temer a barrar na Câmara a segunda denúncia contra ele, mesmo após contar com o apoio do PMDB para salvar o senador Aécio Neves (MG). Segundo lideranças tucanas na Câmara e no Senado, a bancada de deputados continuará dividida e deve registrar placar parecido com o da primeira denúncia, quando deu 22 votos a favor e 21 contra Temer.
"O número de votos vai ser igual ao da primeira, ou seja, a bancada continuará dividida", afirmou ao Estadão/Broadcast Político o líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP). O parlamentar paulista ressaltou que, em razão do racha, deve oficialmente liberar a bancada para votar como quiser, assim como fez na primeira denúncia contra o Temer, por corrupção passiva. A bancada tem atualmente 44 deputados federais. 
Primeiro-vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) afirmou que o resultado favorável a Aécio no Senado não vai mudar os votos do PSDB na segunda denúncia contra Temer. "A imprensa faz uma leitura, e os fatos vão desmentir, de que houve um acordo entre PSDB e PMDB. Semana que vem vai ter painel na Câmara e vocês vão observar que não haverá mudança substancial na posição do PSDB", afirmou.
"Não há nenhuma correlação entre o que houve ontem (17) aqui no Senado e o que acontecerá na Câmara", acrescentou Cunha Lima nesta quarta-feira, um dia após o Senado reverter o afastamento do mandato e recolhimento noturno impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na votação no Senado, o PMDB deu 19 votos para salvar Aécio e apenas dois contra o senador mineiro: um de Kátia Abreu (TO) e outro de Roberto Requião (PR).
O número de votos em relação à segunda denúncia contra Temer deve continuar o mesmo na bancada paulista, de acordo com lideranças tucanas. Na primeira denúncia, 11 tucanos paulistas votaram pelo prosseguimento e apenas um pela rejeição da investigação contra o presidente. O placar provocou críticas de auxiliares de Temer ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), acusado nos bastidores de "traidor".
"Há uma tendência de que os votos na bancada paulista sejam muito parecidos com a primeira denúncia. Até porque os argumentos não mudaram muito. Embora não seja a mesma denúncia (na segunda vez, Temer é denunciado por formação de quadrilha e obstrução da Justiça), os conceitos são iguais", afirmou o deputado Miguel Haddad, que é primeiro-vice-presidente do PSDB de São Paulo e ligado ao governador paulista. 
Deputados tucanos relatam que Alckmin chegou a tentar combinar votos pró-Temer entre a bancada paulista do PSDB. A intenção inicial seria "virar" aproximadamente cinco votos dos tucanos paulistas e, com isso, demonstrar reaproximação com o Palácio do Planalto. O governador quer manter uma boa relação como o PMDB, com vistas às eleições de 2018, quando quer disputar a Presidência da República.
As conversas foram feitas pelo deputado Silvio Torres (PSDB-SP), principal interlocutor de Alckmin na Casa. Mas a dificuldade em conseguir deputados do PSDB dispostos a mudar o voto fez com que os "alckmistas" recuassem da estratégia. Isso porque Torres seria o único voto garantido a favor de Temer. A avaliação é que isso poderia passar uma imagem negativa para o governador, de que ele não teria capacidade política de negociar. Ao Estadão/Broadcast Político, o secretário-geral do PSDB negou movimento pró-Temer. Assim como os demais tucanos, previu que o placar na bancada do PSDB na segunda denúncia deve ser parecido com o da primeira. A avaliação é de que uma mudança de voto de quem votou contra Temer na primeira denúncia pode ser interpretada pelo eleitorado como se tivesse o deputado tivesse ganhado alguma benesse do governo.

Tasso faz gesto político para 2018", por João Domingos

Se o PSDB pensa mesmo em disputar 

a sucessão do presidente Michel Temer

 com o objetivo de voltar ao poder, o 

partido não pode ficar pensando em 

aliviar a barra de Aécio Neves


O Estado de São Paulo


Ações humanitárias têm sentido em tudo o que é lugar, menos na política partidária. Esta é feita de outra forma, visando ao crescimento do partido e ao estreitamento de laços com o eleitor.
Por isso mesmo é que, ao defender a renúncia de Aécio Neves (MG) da presidência do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) está fazendo um gesto político para que a legenda se livre de amarras que possam atrapalhar seus projetos partidários.
Se o PSDB pensa mesmo em disputar a sucessão do presidente Michel Temer com o objetivo de voltar ao poder, o partido não pode ficar pensando em aliviar a barra de Aécio Neves. Ele conseguiu reaver os direitos parlamentares de volta, mas não fez as pazes com o eleitor.
Sempre o presidente de um partido é também o coordenador da campanha do candidato à Presidência. Como é que o PSDB se apresentará para o eleitor tendo Aécio Neves à frente da coordenação do programa de governo e da própria candidatura tucana? É fazer isso e perder.

Nova onda migratória muda perfil da comunidade brasileira em Israel

DANIELA KRESCH
MIRIAM SANGER

Folha de São Paulo


Ouvir português na cidade de Raanana, a cerca de 15 km de Tel Aviv, se tornou corriqueiro. A incidência da língua nas ruas, consequência do aumento da imigração brasileira para Israel, é tamanha que, há um ano e meio, o rabino paulistano Ivo Zilberman, 36, pensou que havia chegado a hora de criar a primeira sinagoga só para brasileiros no país.

Daniela Kresch/Folhapress
O rabino paulista Ivo Zilberman na sinagoga de brasileiros Kehilat Or Israel em Raanana, Israel
O rabino paulista Ivo Zilberman na sinagoga de brasileiros Kehilat Or Israel em Raanana, Israel


Com o apoio de algumas famílias veteranas, Zilberman fundou, em janeiro de 2017, a sinagoga Kehilat Or Israel (Comunidade Luz de Israel), frequentada por cerca de 60 famílias brasileiras de Raanana, cidade de 90 mil habitantes, onde vive há uma década. Na sinagoga, o hebraico é a língua das orações. Mas todo o resto é em português, das prédicas (sermões) às conversas entre as rezas, passando pelos avisos e os bate-papos após o serviço.

A ideia deu tão certo que o primeiro espaço alugado para sediar a sinagoga, com 70m² e permissão de uso apenas aos fins de semana, tornou-se pequeno —em setembro, um espaço permanente e maior, agora com 130m², foi inaugurado. Ali está sendo organizado o primeiro ulpan (curso de hebraico) a ser ministrado em português.

"Nos tornamos um centro de referência para muitos brasileiros que estão chegando", diz o rabino Zilberman.

A aliá (imigração) brasileira para Israel passa por seu momento mais robusto desde a criação do país, em 1948. Historicamente, a média de brasileiros que escolhia morar em Israel era de 150 a 200 por ano. Desde 2014, no entanto, os números vêm aumentando. Foram mil em 2016, fluxo que deve ser superado em 2017.


ORGANIZAÇÃO

Com a chegada de tantos brasileiros, pela primeira vez estão sendo criados grupos, comunidades, ONGs e sinagogas somente para quem fala e entende português.

A maioria dos imigrantes é formada por judeus, beneficiados pela Lei do Retorno (que concede cidadania imediata e benefícios temporários aos judeus que optam por morar em Israel). Mas líderes comunitários dizem que tem aumentado o percentual de não judeus —em geral cônjuges em casamentos mistos.

Raanana tem se destacado como escolha dos novos imigrantes. Quando a psicóloga infantil carioca Rita Cohen Wolf, 51, chegou à cidade, há 24 anos, havia três famílias brasileiras na cidade. Hoje, são cerca de 200, o bastante para que surgisse a demanda para criar o grupo Yalla Chaverim (Vamos Amigos), que organiza eventos culturais.

O grupo também ajuda os novatos a navegarem pelo cotidiano israelense. Já organizou, por exemplo, visitas a supermercados para ensinar quem não lê hebraico a identificar os produtos.

"Quando começamos, éramos cinco casais de amigos. Hoje, já temos 400 inscritos", diz Rita. "Antes, os olim [imigrantes] brasileiros queriam se inserir rapidamente na sociedade israelense, sem contato com outros brasileiros. Isso mudou."

A ONG pioneira foi o Beit Brasil (Casa do Brasil), que começou em meados de 2014 e que conta com 150 voluntários por todo o país. O grupo centraliza ações junto ao governo israelense e já participou de reuniões no Knesset (Parlamento) com pedidos de atenção especial à imigração brasileira, como validação de diplomas profissionais.

Segundo um dos fundadores, o empresário paulista Michel Abadi, 44, prefeituras locais, que antes achavam que poderiam atender os brasileiros em espanhol, já buscam funcionários que falem português: "Só agora começam a entender que brasileiros não são argentinos", brinca.

Outro exemplo é o da cidade de Modiin (entre Tel Aviv e Jerusalém), onde 300 jovens sul-americanos —a maioria brasileira— criaram a ONG Bnei Darom (filhos do sul) e convidaram o rabino paulistano Daniel Segal, 37, para criar a sinagoga Maarava Menashe. "O boom brasileiro vem com uma mudança: pela primeira vez, eles não têm vergonha de buscar integração com conterrâneos", diz.